Escutar antes de intervir
Cada gesto parte da observação paciente do lugar — do solo, das águas, das pessoas que já habitam este território há gerações.
Um projeto regenerativo aos pés do Pico dos Marins, feito de gente, de território e do tempo próprio da montanha.
Uma clareira é uma pausa dentro da mata. Um espaço onde a luz alcança o chão, onde uma nova semente encontra terreno para brotar.
Nasce aqui, ao pé do Pico dos Marins, um projeto que abriga experiências, estadias e curadorias enraizadas neste território. Um convite para desacelerar, escutar a floresta, cozinhar com o que a terra oferece, dormir com o silêncio da montanha.
Cultivamos encontros que costuram pessoas ao lugar. Que devolvem ao corpo o ritmo do vento nas folhas, o cheiro da terra molhada, o gesto simples de plantar uma muda e voltar meses depois para vê-la crescida.
Clareira não é um destino. É uma prática — de presença, de cuidado, de regeneração — que começa nos Marins e se estende a cada pessoa que passa por aqui.

O Pico dos Marins se ergue a 2.420 metros sobre a região de Piquete, no interior de São Paulo. Ao seu redor, um mosaico de mata atlântica preservada, nascentes, sítios e comunidades que sustentam a vida da serra.
A Clareira nasce nesse contexto — não como um empreendimento isolado, mas como uma extensão do território. Escutamos os ciclos da montanha, aprendemos com quem já cuida deste chão há muito tempo e cultivamos formas de habitá-lo com mais atenção.
Aqui, a paisagem é convite e mestra. O silêncio da mata, o som dos riachos e o desenho do céu sobre as cristas são o primeiro currículo de qualquer experiência que oferecemos.
Regenerar, para nós, é um verbo cotidiano. Se traduz em decisões pequenas e persistentes — de arquitetura, de curadoria, de convívio.
Cada gesto parte da observação paciente do lugar — do solo, das águas, das pessoas que já habitam este território há gerações.
Regenerar é deixar o solo mais fértil, a água mais limpa e a comunidade mais forte do que quando chegamos. É a métrica que nos guia.
Costuramos parcerias com moradores, agricultores, artesãos e pesquisadores. A Clareira só existe porque outros já cuidam deste chão há muito tempo.
Respeitamos as estações, os ciclos e o tempo próprio do território. Nada aqui tem pressa — porque uma floresta não se planta em um trimestre.

Marina Schmoeller é bióloga, ecóloga e uma pessoa profundamente interessada nas relações que construímos com os lugares onde vivemos. Depois de muitos anos entre universidades, projetos de conservação e restauração da natureza, escolheu fincar raízes na Serra da Mantiqueira, aos pés do Pico dos Marins. Ali, entre trilhas, obras que nunca saem exatamente como planejado, plantios, bichos, montanhas e mudanças de tempo, nasceu a Clareira.
Marina transita entre ciência e sensibilidade, planejamento e improviso, pensamento crítico e mão na terra. Gosta de escrever, contar histórias, observar padrões, aprender coisas novas e criar experiências que aproximem pessoas, natureza e território de maneira concreta — sem idealizar a vida rural, mas sem perder o encantamento por ela. A Clareira é uma extensão desse caminho: um projeto feito de curiosidade, cuidado e da vontade de criar espaço para outras formas de perceber, viver e se relacionar com o mundo.



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